29/11/2020

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Revolta contra Carrefour gera danos em lojas nas capitais do país e não deixa feridos

Protestos em repúdio à morte de João Alberto Silveira Ferreira, um homem negro brutalmente espancado por seguranças do Carrefour em Porto Alegre (RS) na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra, foram registrados em ao menos seis capitais brasileiras nesta sexta-feira (20).

As manifestações antirracistas foram marcadas por ações diretas contra lojas da rede como forma de protesto. Em São Paulo (SP), por exemplo, mais de mil manifestantes aderiram à 17ª Marcha da Consciência Negra de SP, que se concentrou no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e se dirigiram até uma unidade localizada na rua Pamplona. 

Chegando ao local, os manifestantes conseguiram entrar na loja enquanto bradavam palavras de ordem contra o racismo. Mercadorias foram derrubadas das prateleiras e houve um início de incêndio. Os danos foram apenas patrimoniais. 

Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, milhares de pessoas se concentraram em frente a unidade onde ocorreu o crime, na avenida Plínio Brasil Milano, que estava de portas fechadas. 

Um grupo tentou entrar no supermercado mas foi reprimido com bombas de gás lacrimogêneo pela Brigada Militar. Ainda assim, alguns manifestantes conseguiram danificar o portão. 

No Rio de Janeiro (RJ), os ativistas fecharam uma unidade localizada na Barra da Tijuca. Os manifestantes empilharam pneus e ecoaram gritos com os dizeres “vidas negras importam”. A PM deslocou a cavalaria até o local mas não houve confronto.

Já em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, protestos e intervenções foram registradas em cinco supermercados da rede francesa. Um ato simbólico aconteceu na Praça Sete, no centro da cidade.

Manifestações antirrascistas também foram registradas nas cidades de Ouro Preto (MG) e Pirapora (MG).

No Distrito Federal, em Brasília, um grupo ocupou uma unidade da rede e com cruzes nas mãos, pediu que os clientes não fizessem compras no supermercado. Além disso, também levantavam cartazes e gritaram frases como “eu não consigo respirar”, em referência ao assassinato de George Floyd, homem negro morto durante uma abordagem policial, em maio, nos Estados Unidos.

Um laudo inicial divulgado pelo Instituto Geral de Perícias do RS (IGP-RS) aponta a possibilidade da causa da morte de João Alberto como asfixia.

 

Após mais um caso de violência, a rede francesa foi desligada da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne 73 organizações. A plataforma expressou, em posicionamento público, “profunda repulsa” ao caso.

“É criminoso um ambiente empresarial em que um cidadão entre para fazer uma compra e saia morto. E é conivente todos aqueles que se omitiram e não tomaram as medidas para que essa morte fosse evitada. Inclusive os que se calam”, diz o texto.

Edição: Rodrigo Chagas

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